O satélite NISAR, missão conjunta das agências espaciais dos Estados Unidos e da Índia, registrou durante meses a evolução do fluxo de lava do vulcão Krasheninnikov, na Península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia. Pesquisadores reuniram 17 observações de radar em uma sequência que permite acompanhar a transformação da paisagem.
O vulcão entrou em erupção em agosto de 2025 depois de permanecer sem atividade eruptiva conhecida desde aproximadamente 1550. Poucos dias antes, um terremoto de magnitude 8,8 havia atingido o oceano próximo à península.
Radar acompanhou a lava durante meses
O NISAR fez uma das primeiras imagens da sequência em 25 de dezembro de 2025, quando concluía verificações posteriores ao lançamento e entrava em operação. Desde então, o satélite voltou repetidamente à mesma região.
A missão observa o local duas vezes a cada ciclo de 12 dias, em direções orbitais diferentes. Os pesquisadores organizaram 17 quadros obtidos até meados de agosto de 2026.
A sequência mostra a lava preenchendo uma caldeira interna menor, ultrapassando seus limites e chegando a uma cratera mais ampla, onde o material se espalha em formato de leque.
Microndas permitem observar a superfície
O NISAR utiliza radar de abertura sintética, conhecido pela sigla SAR. Em vez de depender apenas da luz visível, o instrumento envia pulsos de micro-ondas em direção à Terra e mede o sinal que retorna.
O processamento combina grande quantidade de medições para produzir imagens detalhadas da superfície. Na sequência do Krasheninnikov, cada pixel representa aproximadamente uma área de 10 por 10 metros.
A lava aparece mais clara nos registros de radar por refletir as micro-ondas de forma diferente da neve e do terreno exposto ao redor.
Vulcão ficou silencioso por quase cinco séculos
Kamchatka abriga dezenas de vulcões e é uma das regiões vulcânicas mais ativas do planeta. O Krasheninnikov, entretanto, chamava atenção justamente pelo longo intervalo sem uma erupção conhecida.
O episódio atual começou poucos dias depois do forte terremoto de julho de 2025. Estudos anteriores da NASA identificaram deformações na superfície após o tremor e antes da erupção, um sinal compatível com movimentação de magma em direção à superfície.
A relação entre grandes terremotos e erupções não é automática. Um tremor pode influenciar um sistema vulcânico apenas quando determinadas condições internas já estão presentes.
Missão amplia monitoramento de riscos naturais
A repetição regular das observações é uma das principais vantagens do NISAR. A missão oferece cobertura quase global das áreas terrestres e permite comparar mudanças ocorridas entre passagens sucessivas.
Esse tipo de acompanhamento pode ser aplicado a vulcões, terremotos, deslizamentos, mudanças em geleiras e outras transformações da superfície. No caso de riscos naturais, sequências de radar ajudam cientistas a medir alterações que nem sempre são perceptíveis em uma única fotografia.
NISAR reúne tecnologias dos EUA e da Índia
A missão combina dois radares de comprimentos de onda diferentes. A NASA forneceu o sistema de banda L e o refletor da antena, enquanto a Organização Indiana de Pesquisa Espacial forneceu a plataforma da espaçonave e o radar de banda S.
O refletor possui 12 metros de diâmetro, o maior já enviado ao espaço pela NASA para uma antena de radar. A combinação das duas bandas permite investigar diferentes características da vegetação e do solo.
O acompanhamento do Krasheninnikov demonstra uma das aplicações práticas da missão: transformar passagens repetidas de um satélite em uma linha do tempo detalhada de um fenômeno geológico em andamento.
Imagem oficial do vulcão Krasheninnikov durante o episódio eruptivo. Crédito: NASA Earth Observatory.








