Uma nova espécie de cobra descrita cientificamente na Nova Guiné recebeu um nome que chama atenção fora do mundo da zoologia: Lielaphis slashi, em homenagem a Slash, guitarrista do Guns N’ Roses. A escolha não veio apenas da fama do músico. Slash é conhecido por seu interesse de longa data por répteis e pelo apoio a zoológicos, museus e iniciativas ligadas à história natural.
A espécie foi formalmente descrita em agosto de 2026 na revista científica Zootaxa. O trabalho reuniu pesquisadores de diferentes instituições e combinou análises genéticas com características físicas dos animais para confirmar que se tratava de uma espécie distinta.
Uma cobra discreta que passou anos sem ser reconhecida
A Lielaphis slashi é uma cobra terrestre de coloração predominantemente castanho-avermelhada. Ela vive em áreas de floresta da Nova Guiné e tem hábitos noturnos, o que contribui para tornar esses animais mais difíceis de observar em campo.
De acordo com pesquisadores envolvidos no estudo, um exemplar associado à descoberta foi encontrado durante uma expedição noturna em 2006. Foram necessários anos de comparação de material, genética e anatomia para que a diferença em relação a espécies próximas ficasse clara.
A espécie mede aproximadamente 28 polegadas, ou pouco mais de 70 centímetros. Ela não produz veneno considerado perigoso para seres humanos.
Genética ajudou a separar espécies muito parecidas
Um dos desafios do gênero Lielaphis é que várias espécies apresentam aparência bastante semelhante. Isso significa que apenas observar cor e formato nem sempre é suficiente para saber se dois animais pertencem à mesma espécie.
No trabalho publicado na Zootaxa, os pesquisadores analisaram dados genéticos de espécies já conhecidas e compararam características morfológicas de exemplares preservados. O conjunto das evidências sustentou a descrição da nova espécie.
Com a inclusão da Lielaphis slashi, o gênero passou a reunir 20 espécies reconhecidas no estudo.
Por que a cobra recebeu o nome de Slash
A proposta partiu de Sara Ruane, curadora associada de herpetologia do Field Museum, em Chicago, e uma das autoras do estudo. Além de trabalhar com répteis, ela cresceu ouvindo Guns N’ Roses e conhecia o histórico de Slash como admirador de cobras.
O músico, cujo nome é Saul Hudson, já apareceu publicamente com répteis e falou em diferentes ocasiões sobre o interesse que mantém por esses animais desde a infância.
O nome científico funciona como uma homenagem permanente: ao ser descrita formalmente, a espécie passa a carregar aquela denominação em bancos de dados, artigos e coleções científicas.
Descobrir espécies também ajuda na conservação
Os pesquisadores destacam que a Nova Guiné abriga uma biodiversidade excepcional, mas ainda possui grupos pouco estudados. Em ambientes assim, reconhecer e descrever espécies é uma etapa básica para entender quais animais existem, onde vivem e quais populações podem estar sob risco.
Florestas da região sofrem pressão de diferentes atividades humanas. Sem uma descrição formal, espécies raras podem permanecer invisíveis para avaliações de conservação e planejamento ambiental.
Foto ilustrativa: Mark Stoop / Unsplash.





