São Paulo atingiu uma mudança histórica em sua estrutura etária: o estado já tem praticamente uma pessoa com 60 anos ou mais para cada criança ou adolescente com menos de 15 anos. O índice de envelhecimento chegou a 101,0 em 2025, o que representa 101 idosos para cada 100 pessoas de 0 a 14 anos.
Os dados fazem parte do Painel População da Fundação Seade e mostram uma transformação acelerada no perfil demográfico paulista. A população com 60 anos ou mais soma 8,4 milhões de pessoas e corresponde a 18,4% dos habitantes do estado.
Índice cresceu quase nove vezes desde 1950
A comparação histórica ajuda a dimensionar a mudança. Em 1950, São Paulo tinha 11,6 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças e adolescentes com menos de 15 anos. Em 2000, a relação já havia subido para 34,1; em 2010, chegou a 53,9; e, em 2020, atingiu 82,3.
Em 2025, o indicador ultrapassou pela primeira vez a marca de 100. Isso significa que, em 75 anos, o índice de envelhecimento paulista aumentou cerca de 8,7 vezes.
A combinação de dois movimentos ajuda a explicar o fenômeno: a queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida. Com menos nascimentos e mais pessoas vivendo por períodos mais longos, a participação relativa dos grupos mais velhos cresce de forma contínua.
Mulheres são maioria entre os idosos
As mulheres representam a maior parcela da população idosa paulista, e a diferença aumenta nas idades mais avançadas. Do total da população do estado, 10,5% são mulheres com 60 anos ou mais, enquanto 7,9% são homens nessa faixa etária.
Esse desequilíbrio está relacionado à maior longevidade feminina observada historicamente. Na prática, ele também influencia a demanda por políticas públicas, serviços de saúde, cuidados de longa duração, habitação e proteção social voltados à terceira idade.
A mudança etária não significa apenas aumento do número de idosos. Ela altera a relação entre as diferentes gerações e tem efeitos sobre famílias, mercado de trabalho, previdência, consumo e planejamento urbano.
Geração X começa a chegar aos 60 anos
Outro fator que começa a ganhar peso é a entrada da geração X na terceira idade. Em São Paulo, 549 mil pessoas têm exatamente 60 anos e fazem parte do grupo de nascidos entre 1965 e 1980.
Esse contingente representa 6,6% da população idosa do estado. Ao mesmo tempo, o grupo com 60 anos ou mais já se aproxima em tamanho da população entre 45 e 60 anos, estimada em 9,2 milhões de pessoas.
Nos próximos anos, a passagem de parcelas maiores dessa geração para as faixas acima de 60 anos tende a manter o envelhecimento como uma das principais transformações demográficas do estado.
Envelhecimento avança de forma diferente pelo estado
A mudança também aparece nos municípios. Em 2000, Águas de São Pedro era o único município paulista em que o número de idosos superava o de crianças e adolescentes, com índice de 110,9. Em 2025, essa realidade passou a atingir diversas cidades, embora existam diferenças importantes entre as regiões.
Turmalina registra atualmente o maior índice de envelhecimento do estado, com 322 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos. Águas de São Pedro aparece com índice de 270,1.
As menores relações continuam concentradas sobretudo no sul do estado e em partes da Região Metropolitana. Itapevi, por exemplo, tem índice de 53,8, ainda com predominância relativa de jovens. Já no norte e no noroeste paulista, são comuns municípios com mais de 120 idosos para cada 100 menores de 15 anos.
O novo retrato demográfico reforça a necessidade de planejamento de longo prazo. Saúde, mobilidade, moradia, formação profissional e redes de cuidado precisarão acompanhar uma população que envelhece rapidamente e de maneira desigual entre os municípios.








