A Embrapa apresentou nesta quarta-feira (23) duas novas cultivares de algodão desenvolvidas em parceria com a Lyntera, com foco em produtividade e elevada sanidade das lavouras. Os materiais BRS 510 B2RF e BRS 810 B3RF foram levados ao 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado entre 22 e 24 de setembro no Expominas, em Belo Horizonte (MG).
As novas opções incorporam resistência múltipla a algumas das principais doenças da cultura e a nematoides, além de recursos de biotecnologia voltados à resistência a lagartas e à tolerância a herbicidas. A proposta é ampliar as alternativas disponíveis aos produtores em um cenário no qual produtividade e controle de problemas fitossanitários precisam avançar juntos.
Novas cultivares combinam produtividade e sanidade
A BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF foram desenvolvidas para reunir características agronômicas importantes em um mesmo material. Entre os destaques está a resistência múltipla a doenças que podem comprometer o desempenho do algodoeiro e elevar os custos de produção.
Outro ponto relevante é a resistência a nematoides, organismos microscópicos presentes no solo que podem atacar as raízes das plantas. Dependendo da espécie, da população presente na área e das condições da lavoura, a infestação pode reduzir o desenvolvimento das plantas e afetar a produtividade.
A resistência genética não elimina a necessidade de manejo integrado, mas pode se tornar uma ferramenta importante dentro da estratégia do produtor, especialmente em áreas com histórico de problemas fitossanitários.
Biotecnologia amplia proteção contra lagartas
As duas cultivares também incorporam biotecnologia para resistência a lagartas e tolerância a herbicidas. Essas características podem facilitar o manejo da cultura quando associadas às práticas agronômicas recomendadas para cada região.
No caso do controle de insetos, tecnologias incorporadas às sementes ajudam a reduzir a pressão de determinadas pragas, mas exigem acompanhamento da lavoura e adoção das estratégias indicadas para preservar a eficiência ao longo do tempo.
A combinação entre genética, biotecnologia e manejo é especialmente relevante para o algodão, uma cultura de ciclo relativamente longo e sujeita a diferentes desafios durante o desenvolvimento das plantas.
Congresso reúne pesquisa e setor produtivo em Belo Horizonte
As novidades estão sendo apresentadas diretamente aos produtores durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão. O evento ocorre no Expominas e reúne pesquisadores, técnicos, produtores e representantes de diferentes segmentos ligados à cadeia produtiva.
A programação se estende até quinta-feira (24) e inclui discussões sobre pesquisa, inovação, produtividade e desafios enfrentados pela cotonicultura brasileira.
O congresso é realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, com apoio científico da Embrapa, criando um espaço de aproximação entre o desenvolvimento de novas tecnologias e quem utiliza essas soluções no campo.
Melhoramento genético ganha peso na produtividade
O lançamento de cultivares com diferentes mecanismos de resistência mostra como o melhoramento genético continua sendo uma das frentes centrais da pesquisa agrícola. A escolha do material adequado pode influenciar produtividade, estabilidade da lavoura e estratégia de manejo.
Ao mesmo tempo, nenhuma cultivar funciona de forma isolada. Clima, solo, época de plantio, população de plantas, ocorrência de pragas e doenças e práticas de manejo continuam determinantes para o resultado final.
Por isso, novos materiais ampliam o conjunto de ferramentas disponíveis ao produtor, mas a decisão sobre qual cultivar utilizar precisa considerar as condições específicas de cada região e sistema de produção.
Foto ilustrativa: Paul Wuthrich / Unsplash.








