O telescópio espacial Hubble alcançou a marca de 200 mil órbitas ao redor da Terra enquanto participa de uma observação que pode ajudar astrônomos a refinar medições sobre a expansão do Universo. O alvo é o aglomerado de galáxias MACS J0417, usado como uma lente gravitacional natural para acompanhar a supernova Athena.
A marca orbital foi atingida em 19 de setembro. Ao longo de mais de 36 anos no espaço, o Hubble já percorreu mais de 8 bilhões de quilômetros ao redor da Terra e acumulou mais de 1,7 milhão de observações.
Uma supernova pode aparecer mais de uma vez
Athena foi descoberta pelo telescópio espacial James Webb em 2025. Embora uma explosão estelar seja um único evento, a distribuição de matéria entre a supernova e a Terra pode fazer sua luz chegar por caminhos diferentes.
O aglomerado MACS J0417 possui massa suficiente para curvar o espaço-tempo e desviar a trajetória da luz de objetos localizados muito mais longe. Esse fenômeno é chamado de lente gravitacional.
Como os caminhos têm comprimentos e características diferentes, imagens da mesma explosão podem chegar à Terra em momentos separados por meses ou até anos. Os astrônomos esperam que Athena volte a aparecer entre agora e o início de março de 2027.
Tempo de chegada ajuda a medir o Universo
Registrar com precisão quando cada imagem da supernova reaparece fornece informações sobre a distribuição de massa no aglomerado que atua como lente. Os dados também podem contribuir para estudos da taxa de expansão do Universo.
Essa taxa é representada pela constante de Hubble, um dos parâmetros fundamentais da cosmologia. Diferentes métodos de medição produziram resultados que ainda motivam debates e novas observações.
Supernovas ampliadas por lentes gravitacionais oferecem uma maneira independente de investigar o problema. A combinação entre geometria, distribuição de massa e diferença no tempo de chegada da luz cria um laboratório natural em escala cósmica.
Hubble continua produtivo após 36 anos
Lançado em abril de 1990, o Hubble permanece em operação muito além da duração inicialmente imaginada para várias de suas etapas científicas. Sua capacidade de observar em comprimentos de onda visíveis e ultravioleta continua complementando instrumentos mais recentes.
A procura pelo telescópio permanece alta: astrônomos solicitam aproximadamente sete vezes mais tempo de observação do que a quantidade disponível. Isso obriga equipes científicas a selecionar propostas de acordo com critérios competitivos.
O Webb, por sua vez, observa principalmente no infravermelho. Usados em conjunto, os dois observatórios conseguem revelar características diferentes dos mesmos objetos, ampliando a quantidade de informação disponível para os pesquisadores.
Imagem mostra o efeito de lente gravitacional
O campo de galáxias associado ao MACS J0417 mostra como grandes concentrações de massa podem distorcer e ampliar objetos mais distantes. A imagem destacada desta matéria foi obtida pelo James Webb e representa o próprio aglomerado usado nos estudos de lente gravitacional, oferecendo uma referência visual direta do fenômeno.
A observação atual do Hubble acompanha repetidamente a região em busca do sinal previsto de Athena. Caso o reaparecimento seja registrado, a diferença de tempo poderá ser incorporada aos modelos do aglomerado e às estimativas cosmológicas.
A órbita de número 200 mil, portanto, coincidiu com uma investigação ligada a uma das áreas em que o Hubble teve maior impacto científico: a tentativa de compreender com maior precisão como o Universo se expande.
Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI e Vicente Estrada-Carpenter.








