São Paulo ampliou a rede de acolhimento voltada a adultos com histórico de uso de substâncias psicoativas. Em 2026, os Serviços de Acolhimento Terapêutico e as Repúblicas somam 41 unidades e 1.700 vagas no estado, dentro de uma estrutura que combina atendimento comunitário e residência temporária.
O modelo é chamado de Serviço de Acolhimento Terapêutico Híbrido (SATH) e atende pessoas maiores de 18 anos. A proposta é oferecer cuidado continuado em ambiente protegido, com foco na recuperação, reconstrução de vínculos familiares e comunitários e desenvolvimento de autonomia.
Atendimento é dividido em duas fases
O serviço funciona em duas etapas. A primeira é comunitária e concentra a intervenção terapêutica voltada à reorganização psicossocioemocional. Nessa fase, a pessoa recebe acompanhamento e participa de atividades destinadas a reconstruir rotinas, vínculos e perspectivas de vida.
A segunda etapa é residencial e temporária. O objetivo é preparar o acolhido para a reintegração social, fortalecer a autonomia e, quando indicado, trabalhar também a relação com familiares.
A estrutura residencial busca se aproximar mais do funcionamento de um lar do que de uma instituição fechada. A lógica é criar um ambiente protegido sem interromper totalmente os vínculos da pessoa com a comunidade e com os serviços públicos.
Equipe atua de forma interdisciplinar
O SATH reúne acompanhamento de assistência social, psicologia e atividades socioeducativas. O atendimento também envolve construção de projeto de vida e articulação com serviços de saúde, assistência social, trabalho, educação, cultura, esporte e lazer.
Entre os objetivos estão evitar o agravamento de situações de vulnerabilidade, reduzir riscos associados à violência e à ruptura de vínculos e ajudar o acolhido a criar uma rede de apoio fora da unidade.
O modelo também inclui preparação para o mundo do trabalho e estímulo à educação financeira. As ações devem considerar as necessidades e expectativas de cada pessoa, já que os caminhos de recuperação e reinserção social não são iguais para todos.
Rede soma 1.700 vagas em 2026
Implantado em 2023, o modelo foi ampliado nos últimos anos. Em 2026, os serviços de acolhimento terapêutico e as repúblicas chegam a 41 unidades e 1.700 vagas em São Paulo.
Desse conjunto, 25 unidades são de SATH híbrido masculino, com mil vagas. Outras duas unidades são destinadas ao atendimento híbrido feminino, com 210 vagas.
As demais estruturas integram outras modalidades da rede estadual de acolhimento e reinserção. A expansão busca ampliar alternativas de cuidado para pessoas que precisam de proteção temporária e acompanhamento mais estruturado durante o processo de recuperação.
Acesso pode ocorrer pelo SUS ou pelo SUAS
O encaminhamento ao serviço pode ser feito pelas redes do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) ou do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente pela atenção psicossocial.
Na prática, isso permite que diferentes portas de entrada identifiquem a necessidade de acolhimento e façam o encaminhamento conforme a situação individual. O serviço não funciona como atendimento emergencial isolado, mas como parte de uma rede de cuidado e proteção social.
O foco da modalidade está na continuidade do acompanhamento. A internação ou permanência residencial, por si só, não é tratada como solução completa. O trabalho inclui reconstrução de vínculos, retomada de atividades cotidianas e preparação para que a pessoa consiga viver novamente com maior autonomia fora da unidade.
Para famílias e pessoas que buscam ajuda, o caminho inicial continua sendo procurar os serviços de saúde ou assistência social do município. A avaliação da necessidade de acolhimento e da modalidade mais adequada é feita pelas equipes responsáveis pela rede de atendimento.








