Cerca de 150 estudantes de seis escolas públicas do Rio de Janeiro vão participar, entre setembro e outubro, de uma experiência de exploração virtual das profundezas do Atlântico Sul. A primeira atividade ocorre nesta quinta-feira (24) e conecta os alunos a pesquisadores brasileiros que participam de uma expedição científica no oceano profundo.
A iniciativa é coordenada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com o Schmidt Ocean Institute e a Society for Underwater Technology, com apoio de laboratórios da UFRJ.
Conexão direta com um navio de pesquisa
Os estudantes poderão conversar com pesquisadores que estão a bordo do R/V Falkor (too), navio dedicado à exploração científica do oceano. A conexão permitirá conhecer a rotina da equipe, os espaços da embarcação e parte das tecnologias empregadas nas expedições.
O programa começa com alunos do Colégio Estadual Dom Hélder Câmara e continuará com outras cinco escolas em datas distribuídas até 20 de outubro.
ROV chega a mais de 4 mil metros
Entre os equipamentos apresentados está o SuBastian, veículo operado remotamente, conhecido pela sigla ROV. O robô submarino consegue trabalhar em profundidades superiores a 4 mil metros, levando câmeras, sensores e instrumentos de coleta a locais inacessíveis diretamente a mergulhadores.
Os jovens também conhecerão a Luma, veículo subaquático brasileiro que já foi utilizado em águas da Antártica. Esses equipamentos mostram como engenharia, computação, oceanografia e outras áreas trabalham juntas em uma expedição moderna.
Experiência inclui ambiente imersivo
Parte da programação ocorrerá no Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da Coppe/UFRJ. Os participantes entrarão em uma Cave, ambiente de visualização imersiva capaz de reproduzir cenários e fenômenos oceânicos.
Também haverá uma atividade prática de montagem de um pequeno motor subaquático e demonstração em piscina. Drones utilizados em pesquisas de monitoramento de cardumes, vazamentos de óleo e áreas de manguezal fazem parte da programação.
Projeto aproxima escola e pesquisa científica
O objetivo é apresentar aos adolescentes possibilidades profissionais relacionadas ao oceano. Uma expedição desse tipo não depende apenas de oceanógrafos: engenheiros, matemáticos, especialistas em robótica, computação, geologia, biologia e análise de dados também participam da exploração e interpretação das informações.
A experiência ganha relevância porque grande parte do oceano profundo ainda permanece pouco conhecida. Instrumentos controlados remotamente permitem observar ecossistemas, mapear o fundo do mar e coletar amostras sem a presença humana direta em profundidades extremas.
Seis escolas participam até outubro
Depois da primeira turma, estão previstas sessões em 29 de setembro e nos dias 2, 6, 14 e 20 de outubro. Participam escolas estaduais, municipais e o Cefet do Rio de Janeiro.
A proposta transforma uma expedição científica em uma atividade de educação e orientação profissional. Em vez de apresentar a exploração oceânica apenas por vídeos gravados, os alunos terão contato com pesquisadores, equipamentos e dados ligados a uma operação real no Atlântico Sul.
Foto ilustrativa: Joshua Doubek / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).








