O Ministério da Saúde retomou a Estratégia de Fortificação da Alimentação Infantil com Micronutrientes em Pó (NutriSUS), com atendimento previsto para mais de 277 mil crianças. Nesta etapa, a distribuição alcança 450 municípios da Região Norte e 21 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
O programa utiliza sachês com 15 vitaminas e minerais, adicionados diretamente a uma das refeições da criança. A retomada muda também a forma de acesso: em vez de concentrar a administração principalmente em creches, a estratégia passa a ser executada pelas equipes da Atenção Primária à Saúde, com entrega dos sachês às famílias nas Unidades Básicas de Saúde.
Quem receberá o suplemento
Nos estados da Região Norte, o público prioritário é formado por crianças de 6 a 23 meses acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde. A distribuição abrangerá todos os municípios do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Nos territórios indígenas contemplados, a faixa etária é mais ampla: crianças de 6 a 59 meses atendidas em 21 DSEI poderão receber a suplementação. A priorização desses territórios considera indicadores de vulnerabilidade nutricional e de insegurança alimentar.
Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil de 2019 apontaram prevalência de anemia de 30,4% entre crianças de 6 a 23 meses na Região Norte. O Ministério também considera o cenário de insegurança alimentar: dados da PNAD Contínua de 2024 indicaram que 37,6% dos domicílios da região enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, sendo 6,3% em situação grave.
Como funciona o NutriSUS
Cada sachê contém 1 grama de uma mistura de micronutrientes. A composição reúne vitaminas A, D, E, C, B1, B2, B6 e B12, além de niacina, ácido fólico, ferro, zinco, cobre, selênio e iodo. O conteúdo deve ser acrescentado a uma refeição diária da criança, seguindo as orientações das equipes de saúde.
A estratégia é organizada em três ciclos. Em cada um deles, a família recebe 60 sachês para uso durante dois meses, na proporção de um sachê por dia. Depois desse período, há um intervalo de quatro meses antes do ciclo seguinte. A recomendação é que a entrega ocorra a cada seis meses, preferencialmente durante consultas de acompanhamento infantil.
O NutriSUS integra os Programas Nacionais de Suplementação de Micronutrientes do SUS, ao lado dos programas de suplementação de ferro e de vitamina A. O objetivo é prevenir deficiências nutricionais que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento na primeira infância.
Entrega passa a ficar mais próxima das famílias
A mudança operacional é um dos principais pontos da retomada. Nas etapas anteriores, os sachês eram administrados principalmente em creches. Agora, a implementação passa a envolver diretamente as equipes da Atenção Primária, permitindo que responsáveis levem o suplemento para casa e o adicionem à alimentação da criança.
Essa organização também aproxima a suplementação das consultas de puericultura e do acompanhamento realizado pelas UBS. A medida permite integrar a entrega dos micronutrientes a outras ações de cuidado infantil, como avaliação do crescimento, alimentação e desenvolvimento.
Por que os micronutrientes são importantes
Deficiências de vitaminas e minerais podem ocorrer mesmo quando a criança recebe quantidade suficiente de alimentos. Ferro, vitamina A, zinco e outros micronutrientes participam de processos relacionados ao crescimento, imunidade e desenvolvimento.
No caso do NutriSUS, a fortificação foi estruturada para complementar a alimentação, e não para substituir refeições ou uma dieta equilibrada. O Ministério da Saúde orienta que o uso seja acompanhado pelas equipes responsáveis pelo atendimento da criança, respeitando o ciclo e as recomendações do programa.
Com a retomada, a estratégia volta a ter alcance amplo justamente em áreas nas quais os indicadores apontam maior vulnerabilidade. A expectativa é combinar suplementação, acompanhamento pela Atenção Primária e orientação às famílias para reduzir carências de micronutrientes durante uma fase decisiva do desenvolvimento infantil.
Foto: Luiz Nascimento/Ministério da Saúde








