A paisagem da Mata Atlântica mudou profundamente em quatro décadas. Entre 1985 e 2025, o bioma perdeu 9,7 milhões de hectares de vegetação madura, enquanto a área destinada à agricultura cresceu cerca de 11 milhões de hectares. Os números fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta segunda-feira (21).
O levantamento acompanha 41 anos de transformações no uso e na cobertura da terra e mostra um cenário com duas tendências acontecendo ao mesmo tempo: expansão da produção agrícola e regeneração de parte das áreas que haviam sido desmatadas.
Agricultura chegou a cerca de 20,5 milhões de hectares
Segundo os dados divulgados, a agricultura ocupava aproximadamente 20,5 milhões de hectares dentro do território da Mata Atlântica em 2025, o equivalente a cerca de 19% da área do bioma.
Grande parte desse avanço ocorreu sobre áreas que anteriormente eram classificadas como pastagem. As pastagens perderam aproximadamente 11 milhões de hectares ao longo do período analisado.
A soja foi uma das culturas que mais ampliaram espaço. Sua área cresceu 8,7 milhões de hectares desde 1985 e chegou a aproximadamente 11,11 milhões de hectares em 2025. A cana-de-açúcar avançou cerca de 5 milhões de hectares e alcançou 6,15 milhões.
Vegetação secundária recuperou mais de 8 milhões de hectares
Apesar da redução da vegetação madura, o MapBiomas também identificou mais de 8 milhões de hectares de vegetação secundária que voltaram a crescer em locais anteriormente desmatados.
Isso significa que uma parcela importante da mata existente hoje não corresponde a áreas que permaneceram intactas durante toda a série histórica, mas a regiões em processo de regeneração.
De acordo com os dados divulgados, aproximadamente um em cada quatro hectares de vegetação nativa hoje presente na Mata Atlântica corresponde a áreas que passaram por algum processo de regeneração desde 1985.
Áreas regeneradas também voltaram a sofrer pressão
A recuperação, porém, não significa que essas áreas estejam protegidas definitivamente. Entre 2021 e 2025, cerca de 1,2 milhão de hectares de vegetação nativa foram novamente suprimidos no bioma.
Desse total, aproximadamente 700 mil hectares eram de vegetação secundária, enquanto cerca de 500 mil hectares correspondiam a vegetação madura.
O dado chama atenção porque mostra que áreas que conseguiram voltar a se desenvolver depois de um desmatamento anterior podem novamente ser convertidas para outras formas de uso da terra.
Agropecuária ocupa a maior parte do território mapeado
Em 2025, a vegetação nativa ocupava aproximadamente 32% do território da Mata Atlântica analisado, enquanto a agropecuária respondia por cerca de 63%.
O bioma atravessa áreas densamente povoadas e economicamente importantes do Brasil. Por isso, a ocupação urbana, a agricultura, a pecuária, a silvicultura e a infraestrutura exercem pressão histórica sobre seus remanescentes.
Ao mesmo tempo, a regeneração natural e projetos de restauração ganharam importância para conectar fragmentos de floresta e recuperar áreas degradadas.
O que os 41 anos de dados mostram
A principal contribuição da série histórica é permitir observar que o uso do solo não muda em uma única direção. Enquanto a agricultura ocupa novas áreas, antigas pastagens podem ser convertidas, trechos de floresta podem desaparecer e outros podem voltar a se regenerar.
O desafio ambiental está justamente em preservar os remanescentes maduros e aumentar a permanência das áreas em recuperação, evitando que elas sejam novamente desmatadas poucos anos depois.
Os dados divulgados fazem parte da Coleção 11 do MapBiomas.
Foto ilustrativa: Ioannis Arvanitakis / Unsplash.








