Empresas brasileiras e instituições de ciência e tecnologia poderão apresentar até 30 de novembro propostas para uma chamada voltada à transformação mineral. A seleção conta com orçamento superior a R$ 200 milhões e busca apoiar tecnologias capazes de agregar valor a minerais estratégicos, recuperar materiais e reduzir emissões na indústria.
A iniciativa integra ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Finep para financiar pesquisa, desenvolvimento e inovação. Os recursos são de subvenção econômica, modalidade não reembolsável condicionada às regras do edital e à execução dos projetos aprovados.
Cinco linhas concentram os projetos
A seleção contempla cinco frentes. A primeira envolve minerais e materiais críticos e estratégicos associados à transição energética e à descarbonização. A segunda trata de mineração urbana, com recuperação de materiais presentes em resíduos e produtos pós-consumo.
Há ainda uma linha dedicada ao desenvolvimento e fabricação de ímãs de terras-raras, outra para tecnologias sustentáveis de mineração e uma quinta voltada à descarbonização da transformação mineral.
Entre os materiais citados estão lítio, grafita, níquel, cobalto, cobre, manganês, nióbio, terras-raras e outros elementos utilizados em cadeias industriais e energéticas.
Mineração urbana reaproveita materiais
A chamada inclui projetos para recuperar metais e componentes de equipamentos elétricos e eletrônicos, baterias, células fotovoltaicas, ímãs de aerogeradores, escórias e resíduos metalúrgicos.
A chamada mineração urbana busca tratar produtos descartados como uma fonte secundária de matérias-primas. Em cadeias como baterias e eletrônicos, recuperar materiais de alto valor pode reduzir perdas e criar rotas complementares à extração mineral convencional.
Descarbonização também está no foco
Outra linha prevê novas rotas metalúrgicas de menor emissão de carbono. Entre as tecnologias previstas estão processos baseados em eletrólise, micro-ondas, hidrogênio de baixa emissão e uso de biomassa.
Projetos relacionados a cimento de baixo carbono também aparecem no escopo, incluindo redução do uso de clínquer e técnicas de captura de dióxido de carbono por recarbonatação.
Na mineração sustentável, a seleção considera soluções para recuperação de áreas degradadas e tecnologias de monitoramento e descomissionamento de minas e barragens.
Empresas precisam trabalhar com instituições de pesquisa
As propostas devem envolver empresas brasileiras e instituições científicas e tecnológicas. O modelo procura aproximar pesquisa acadêmica e aplicação industrial, permitindo que tecnologias avancem em níveis de maturidade antes da entrada no mercado.
Dependendo da linha, os projetos podem alcançar níveis avançados de demonstração tecnológica. A aprovação depende de critérios de inovação, consistência, equipe, orçamento e aderência às prioridades da seleção.
Minerais estratégicos ganharam peso na transição energética
A expansão de veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, geração renovável e eletrônicos aumentou a importância de materiais como lítio, níquel, grafita e terras-raras.
O desafio para o Brasil não se limita à disponibilidade geológica. Transformar minerais em materiais, componentes e produtos de maior valor agregado exige tecnologia, capacidade industrial e pesquisa.
A chamada tenta atuar justamente nessa etapa. Os projetos selecionados ainda precisarão cumprir cronogramas técnicos e financeiros antes que seus resultados possam chegar à escala comercial.
Foto ilustrativa de minerais. Crédito: Wikimedia Commons.








