Chuvas intensas e enchentes aumentam o risco de encontros com escorpiões, aranhas e serpentes dentro de casas, garagens e áreas de serviço. Nesta quinta-feira (24), a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforçou orientações para a limpeza de imóveis atingidos pela água e informou que o estado mantém 246 pontos de atendimento para acidentes com animais peçonhentos.
O risco cresce porque esses animais procuram locais secos quando seus abrigos naturais são inundados. Caixas, móveis, roupas, calçados, entulhos e frestas podem se transformar em esconderijos temporários, inclusive depois que a água já baixou.
Limpeza exige botas e luvas resistentes
A principal orientação é evitar contato direto com materiais que ficaram submersos ou acumulados após a enchente. Botas e luvas resistentes ajudam a reduzir a exposição durante a retirada de lama, móveis e entulho.
As mãos não devem ser colocadas diretamente em buracos, frestas, sob móveis ou entre objetos empilhados. Roupas, toalhas e calçados precisam ser sacudidos e examinados antes do uso, principalmente em imóveis que permaneceram fechados ou alagados.
O cuidado não se limita aos primeiros momentos após a inundação. Animais podem permanecer escondidos enquanto o ambiente seca, o que torna importante manter a atenção durante toda a reorganização da residência.
O que fazer em caso de picada
Se ocorrer uma picada ou outro acidente com animal peçonhento, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. Em São Paulo, a rede estadual mantém 246 pontos preparados para esse tipo de ocorrência e disponibiliza um mapa público para localizar a unidade mais próxima.
Não é indicado manipular o animal para tentar capturá-lo quando isso representar risco adicional. Informações sobre aparência, local e horário do acidente podem ajudar no atendimento, mas a prioridade deve ser buscar assistência de saúde.
Sintomas e gravidade variam conforme a espécie, quantidade de veneno, região do corpo atingida, idade e condições de saúde da pessoa. Crianças e idosos merecem atenção especial diante de sinais de envenenamento.
Prevenção continua depois que a água baixa
Quintais, jardins e áreas de serviço devem permanecer livres de entulho, restos de construção, folhas secas e madeira acumulada. Esses materiais criam abrigos para escorpiões e outros animais.
Frestas em paredes e pisos podem ser vedadas, enquanto ralos e vãos de portas podem receber telas ou barreiras adequadas. Objetos armazenados devem, sempre que possível, ficar elevados e organizados para facilitar a inspeção.
Em áreas verdes ou locais com material empilhado, calçados fechados e luvas também reduzem o risco de contato acidental.
Plano estadual acompanha efeitos do El Niño
As orientações integram o Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para o fenômeno El Niño. O documento prevê acompanhamento de alertas meteorológicos, qualidade da água, unidades de saúde em áreas vulneráveis e estoques de medicamentos, insumos e soros antivenenos.
O planejamento considera que, em São Paulo, o fenômeno pode estar associado a maior irregularidade das chuvas e aumento da probabilidade de temporais, vendavais, alagamentos, enchentes e deslizamentos durante a primavera e o verão.
A estratégia estabelece níveis de mobilização, alerta e emergência para permitir que a rede de saúde amplie sua resposta conforme a evolução do cenário. Serviços essenciais, como urgência, terapia intensiva, assistência a gestantes e recém-nascidos, diálise, oncologia e oxigenoterapia domiciliar, estão entre as prioridades de continuidade.
Dados podem ajudar na prevenção
O estado também mantém um painel de acidentes com animais peçonhentos, atualizado para permitir o acompanhamento das ocorrências por tipo de animal. A informação pode apoiar ações de vigilância e orientar a população sobre períodos e regiões de maior atenção.
Para quem teve a residência atingida por enchente, a combinação de proteção física, inspeção cuidadosa e organização do ambiente é a medida mais prática para diminuir o risco durante a volta para casa.
Foto ilustrativa de escorpião. Crédito: Insects Unlocked/Wikimedia Commons (CC0).








