Uma nova cratera de grandes dimensões foi identificada na Lua após a comparação de imagens feitas antes e depois de um impacto ocorrido entre abril e maio de 2024. A formação, batizada de McGetchin, tem aproximadamente a largura de dois campos de futebol e chamou atenção por ser um evento considerado raro nessa escala.
O impacto foi provocado por um asteroide ou cometa estimado entre 10 e 20 metros de diâmetro. Como a Lua praticamente não possui atmosfera para destruir ou desacelerar objetos desse porte, eles podem atingir a superfície em altíssima velocidade.
Crateras desse tamanho são raras
Estimativas indicam que crateras dessa dimensão surgem, em média, uma vez a cada 132 anos. Isso torna o registro especialmente importante para pesquisadores que estudam como a superfície lunar muda ao longo do tempo.
A cratera recebeu o nome de McGetchin em homenagem a um cientista da era Apollo ligado aos estudos da Lua.
Imagens permitiram comparar o antes e o depois
O Lunar Reconnaissance Orbiter, sonda que acompanha a Lua há anos, possuía imagens anteriores da região e voltou a registrar o local depois do impacto.
Essa comparação permitiu identificar não apenas a nova cratera, mas também alterações ao redor dela provocadas pela ejeção de material da superfície.
Quando um objeto atinge o solo lunar, fragmentos e poeira são lançados para áreas próximas, modificando a textura e a densidade do regolito — a camada de material solto que cobre grande parte da Lua.
Área afetada é maior do que a cratera visível
Observações térmicas realizadas após o impacto detectaram uma extensa região mais fria ao redor da formação.
Esse comportamento ocorre porque o impacto remexe o regolito, deixando parte do material menos compacto e alterando sua capacidade de armazenar e liberar calor.
A área termicamente afetada é muito maior do que a depressão visível da cratera, oferecendo aos cientistas uma oportunidade rara de observar como impactos recentes transformam o ambiente lunar.
Descoberta ajuda a entender a evolução da Lua
Crateras são uma das principais marcas da história geológica da Lua. Como não há chuva, rios ou ventos semelhantes aos da Terra, muitas formações permanecem preservadas durante períodos extremamente longos.
Ao estudar um impacto recente, pesquisadores conseguem comparar dados atuais com crateras antigas e aperfeiçoar modelos sobre a evolução da superfície lunar.
O episódio também reforça uma diferença fundamental entre a Terra e a Lua: a atmosfera terrestre destrói ou reduz significativamente a velocidade de muitos objetos antes que eles alcancem o solo.
Imagem: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner.








