A doação de pele, menos conhecida do que a de órgãos como coração, rins e fígado, pode ter papel decisivo no tratamento de pessoas com queimaduras graves. No Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado neste domingo (27), serviços de saúde de São Paulo reforçaram a importância desse tipo de doação e o impacto que o tecido pode ter na recuperação de pacientes internados.
O Hospital Geral de Vila Penteado, na capital paulista, é uma das referências estaduais no atendimento a queimados e utiliza pele doada como cobertura temporária em casos selecionados. Segundo dados divulgados pelo Governo de São Paulo, cerca de 70 mil internações por queimaduras são registradas anualmente na rede pública brasileira, o que ajuda a dimensionar a demanda por tratamentos especializados.
Como a pele doada é utilizada
Em pacientes com queimaduras extensas, a perda da barreira natural da pele aumenta o risco de infecções, perda de líquidos e outras complicações. O tecido proveniente de doação pode ser usado temporariamente para proteger a área atingida enquanto a equipe médica conduz as etapas necessárias do tratamento.
Essa cobertura funciona como uma proteção biológica e pode contribuir para o controle da dor, redução da perda de líquidos e preparação da região afetada para procedimentos posteriores. A indicação depende da avaliação da equipe especializada e das características de cada caso.
A pele utilizada passa por processos específicos de captação, preparação, conservação e controle antes de ser disponibilizada. Bancos de tecidos seguem protocolos sanitários para que o material possa ser empregado com segurança nos pacientes que necessitam desse recurso.
Doação ainda é pouco conhecida
Apesar de a doação de órgãos ser amplamente divulgada, a possibilidade de doar tecidos como pele ainda é desconhecida por parte da população. A falta de informação pode contribuir para recusas familiares no momento em que a doação é considerada.
O processo ocorre após a morte e depende das condições clínicas e dos critérios estabelecidos pelas equipes responsáveis. A retirada é feita por profissionais capacitados e segue procedimentos destinados a preservar a dignidade do doador.
Além da pele, a doação pode envolver outros tecidos, como córneas, ossos, tendões e válvulas cardíacas, de acordo com as condições do doador e os protocolos aplicáveis.
São Paulo mantém estrutura de transplantes e captação
O Estado de São Paulo possui uma ampla rede ligada à doação e aos transplantes. Dados estaduais divulgados neste domingo indicam 700 doadores e 6.099 captações de órgãos e córneas até agosto de 2026. Em 2025, foram realizados 8.875 transplantes no estado.
Os números incluem diferentes modalidades de transplante e ajudam a mostrar a dimensão da estrutura necessária entre identificação do potencial doador, autorização familiar, captação, transporte, processamento de tecidos e atendimento aos receptores.
No caso da pele, a logística envolve também bancos especializados capazes de processar e armazenar o tecido até sua utilização. Essa estrutura permite que o material seja disponibilizado conforme indicação médica e necessidade dos centros que tratam pacientes queimados.
Família tem papel importante na doação
Um dos pontos destacados pelas campanhas de conscientização é a importância de conversar com familiares sobre a vontade de ser doador. Em uma situação de possível doação, a família participa do processo de autorização, e conhecer previamente a decisão da pessoa pode facilitar esse momento.
A orientação também ajuda a ampliar o entendimento de que a doação não se limita aos órgãos mais conhecidos. Tecidos podem beneficiar pacientes em diferentes situações clínicas e integrar tratamentos complexos, como ocorre nos casos de queimaduras graves.
Para quem deseja manifestar a intenção de doar, conversar claramente com familiares continua sendo uma medida prática. A avaliação sobre quais órgãos ou tecidos poderão efetivamente ser doados será realizada pelas equipes de saúde de acordo com cada situação.








