A NASA confirmou que todas as estações terrestres responsáveis por receber os dados do telescópio espacial Nancy Grace Roman estão prontas para a fase científica da missão. A infraestrutura terá de lidar com um volume incomum para a astronomia espacial: cerca de 1,4 terabyte de dados por dia.
O Roman foi lançado em 30 de agosto e segue em fase de comissionamento. O observatório foi projetado para estudar matéria escura, energia escura, exoplanetas e grandes áreas do céu em infravermelho. A expectativa da NASA é iniciar as operações científicas e divulgar as primeiras imagens em 2027.
Rede receberá dados em três continentes
Os testes envolveram estações da Near Space Network da NASA no Novo México, nos Estados Unidos, além de estruturas operadas com participação da Agência Espacial Europeia na Austrália e da agência espacial japonesa JAXA no Japão.
Segundo a NASA, a transmissão poderá alcançar até 500 megabits por segundo. A distribuição geográfica das antenas permite manter a recepção dos dados produzidos pelo observatório a partir de sua posição no espaço, a aproximadamente 1,6 milhão de quilômetros da Terra.
O volume diário previsto, de aproximadamente 1,4 terabyte, será o maior já transmitido por uma missão de astrofísica da NASA. Isso ocorre porque o Roman combina um amplo campo de visão com uma câmera infravermelha de alta resolução, capaz de registrar grandes regiões do céu com rapidez.
Instrumento principal já foi ativado
Antes da confirmação da rede terrestre, a equipe também havia ativado o Wide Field Instrument, a câmera infravermelha de 300 megapixels que será o principal instrumento científico do telescópio. O equipamento utiliza 18 detectores e foi desenvolvido para produzir levantamentos extensos sem abrir mão do nível de detalhe necessário para estudos astronômicos.
Durante os testes iniciais, o instrumento registrou os primeiros fótons de estrelas. Essas imagens ainda não representam a qualidade científica final, porque o sistema estava fora do foco definitivo. Elas servem como referência para que os engenheiros alinhem a óptica e ajustem o observatório durante o comissionamento.
A equipe também verificou componentes de calibração, filtros, prismas e mecanismos de foco. A NASA informou que as avaliações realizadas até agora indicam funcionamento dentro do esperado.
Por que o Roman produzirá tantos dados
O Roman foi concebido para observar áreas do céu muito maiores do que telescópios espaciais tradicionais conseguem registrar de uma só vez. Isso permitirá criar grandes mapas do Universo e acompanhar enormes populações de estrelas e galáxias.
Os levantamentos devem ajudar cientistas a investigar como a expansão do Universo evoluiu, como a matéria está distribuída em grande escala e como sistemas planetários se formam. A missão também poderá encontrar exoplanetas por diferentes métodos de observação.
O enorme fluxo de informações exigirá processamento automatizado. A própria NASA prevê o uso de aprendizado de máquina, inteligência artificial e participação de cientistas cidadãos para ajudar a identificar fenômenos e objetos que mereçam análises mais detalhadas.
Próxima etapa é concluir o comissionamento
O telescópio permanece em uma sequência de testes e calibrações antes do início da produção científica regular. O objetivo é garantir que instrumentos, comunicação, apontamento e processamento estejam trabalhando de forma integrada.
Quando essa etapa terminar, o Roman deverá operar nas proximidades do ponto de Lagrange L2 do sistema Sol-Terra. A região oferece condições estáveis para observações e também é utilizada por outros observatórios espaciais.
A previsão atual é que as primeiras imagens científicas sejam divulgadas no início de 2027. Até lá, os testes da rede de comunicação reduzem um dos principais riscos operacionais: garantir que o enorme volume de informações coletado no espaço consiga chegar à Terra de maneira contínua.
Imagem: NASA








