A Embrapa e quatro instituições chinesas firmaram um acordo de cooperação para desenvolver e adaptar soluções de inteligência artificial, robótica e agricultura digital às necessidades da agricultura familiar. O programa de trabalho terá duração prevista de cinco anos e inclui a criação do Centro de Cooperação Brasil-China para Aplicação de Inteligência Artificial na Agricultura.
O memorando foi assinado em Nanjing, na China, e reúne a Embrapa, a Universidade Agrícola de Nanjing, a Academia de Ciências Agrícolas de Jiangsu, a Sinomach Digital Technology Corporation e a Associação Internacional para Cooperação Popular.
IA e máquinas inteligentes no campo
A parceria prevê pesquisas conjuntas em máquinas agrícolas inteligentes, plataformas digitais e modelos de cultivo. Também estão programados intercâmbios de pesquisadores, missões técnicas, workshops e capacitações.
O foco declarado é adaptar tecnologias às condições da agricultura familiar brasileira. Isso é relevante porque soluções desenvolvidas para grandes propriedades nem sempre se encaixam em áreas menores, com diferentes culturas, escalas de produção e capacidade de investimento.
Entre as tecnologias citadas estão sensores, internet das coisas, inteligência artificial, automação e robótica. Integradas, essas ferramentas podem apoiar tarefas como monitoramento da lavoura, gestão da produção e operação de equipamentos.
Áreas-piloto estão previstas no Brasil
Um dos principais desdobramentos do acordo é a proposta de implantar áreas-piloto brasileiras com Centros de Serviços de Maquinário Agrícola Inteligente. A ideia é disponibilizar máquinas de pequeno e médio porte e tecnologias digitais para uso em atividades produtivas.
O modelo deverá funcionar de forma coletiva, com participação de associações e cooperativas. Essa estrutura busca enfrentar uma das principais barreiras à adoção de tecnologia por pequenos produtores: o custo de equipamentos que podem ser economicamente inviáveis quando adquiridos individualmente.
Em vez de cada propriedade precisar comprar toda a infraestrutura, equipamentos e serviços poderão ser compartilhados. O acordo também prevê capacitação e integração com atividades de assistência técnica e extensão rural.
Projeto pode se conectar à assistência técnica
As instituições avaliarão a possibilidade de integrar unidades demonstrativas ao Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Pronater). A experiência também poderá ser replicada em outros territórios de agricultura familiar caso os projetos-piloto apresentem resultados positivos.
A adoção de IA no campo vai além de sistemas que geram textos ou imagens. Na agricultura, algoritmos podem ser combinados a câmeras, sensores e máquinas para interpretar dados sobre plantas, solo e operação dos equipamentos.
Isso pode permitir, por exemplo, identificar padrões em grandes volumes de informações e apoiar decisões de manejo. O resultado, porém, depende da qualidade dos dados, da conectividade, da adaptação dos equipamentos e da capacidade dos produtores e técnicos de incorporar as ferramentas à rotina.
Cooperação terá pesquisa e intercâmbio
O memorando prevê busca conjunta de recursos em fundos de pesquisa do Brasil, da China e de organismos internacionais. A cooperação também inclui formação de equipes e intercâmbio de conhecimento entre pesquisadores dos dois países.
A iniciativa dá continuidade a uma aproximação que já vinha sendo construída. Em 2025, Embrapa e Sinomach Digital haviam firmado um memorando em Brasília. A cooperação em agricultura digital também apareceu em outras iniciativas acadêmicas e institucionais entre Brasil e China.
Durante a missão encerrada em 22 de setembro, a delegação da Embrapa participou da World AgriFood Innovation Conference 2026, em Pequim, e realizou encontros com universidades, centros de pesquisa e empresas.
O que ainda precisa acontecer
O memorando estabelece a estrutura de cooperação, mas a implantação das tecnologias no campo dependerá das etapas posteriores. Áreas-piloto, equipamentos, modelos de serviço e formas de financiamento ainda precisarão ser detalhados e testados.
A avaliação prática será especialmente importante para saber se soluções de automação e inteligência artificial conseguem reduzir custos ou aumentar eficiência em propriedades familiares sem criar novas barreiras de acesso.
Com horizonte inicial de cinco anos, a parceria cria uma estrutura para testar esse modelo no Brasil e medir quais tecnologias conseguem sair dos centros de pesquisa e funcionar de maneira sustentável na rotina dos pequenos produtores.
Foto ilustrativa de tecnologia aplicada à agricultura. Crédito: Shreesha Sharma / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.








