Pesquisadores estão usando tecnologia Lidar para ampliar o conhecimento sobre os solos de uma área de 1.000 hectares em Mucajaí, Roraima. O levantamento combina sensoriamento remoto, coleta de amostras e monitoramento das condições do solo e do clima para produzir informações mais detalhadas sobre o terreno.
A atividade integra uma área piloto de pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Solos do Brasil e contou com participação da Embrapa, da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e de outras equipes do projeto. O trabalho de campo foi realizado entre 5 e 7 de setembro e divulgado nesta quarta-feira (23).
Como funciona o Lidar
Lidar é a sigla em inglês para detecção e medição de distância por luz. A tecnologia emite pulsos de laser e calcula o tempo necessário para o sinal atingir uma superfície e retornar ao sensor. A partir de uma grande quantidade dessas medições, é possível construir representações tridimensionais detalhadas do ambiente.
No levantamento de solos, essa capacidade ajuda a registrar diferenças de relevo e características da superfície com alta resolução. Os dados podem ser combinados com observações feitas diretamente em campo, permitindo relacionar a forma do terreno às propriedades encontradas nas amostras.
Esse tipo de integração é importante porque o solo não é uniforme. Mesmo dentro de uma área aparentemente semelhante, pequenas variações de relevo, drenagem, umidade e material de origem podem produzir diferenças relevantes para agricultura, conservação e planejamento do uso da terra.
Área piloto tem 1.000 hectares
O trabalho realizado em Mucajaí foi o segundo levantamento com Lidar na área piloto do INCT Solos do Brasil. Além da obtenção de imagens em alta resolução, a equipe fez prospecção e coleta de perfis para definir a intensidade de amostragem necessária.
Foram abertos cinco perfis de solo e coletadas amostras para análises. Os pesquisadores também instalaram experimentalmente dois sítios de monitoramento pedoclimático, que permitem acompanhar variáveis relacionadas ao solo e ao clima ao longo do tempo.
A combinação é relevante porque uma imagem tridimensional mostra a geometria do terreno, mas a caracterização do solo depende também de dados físicos, químicos e ambientais obtidos diretamente no local. As duas abordagens, portanto, são complementares.
Mapas mais detalhados podem apoiar decisões
Levantamentos de solo servem como base para diferentes decisões no campo e no planejamento territorial. Eles podem ajudar a identificar áreas com limitações para determinados cultivos, orientar práticas de conservação, apoiar o manejo de água e indicar regiões que exigem investigação mais detalhada.
Quando informações de campo são associadas a sensores de alta resolução, os pesquisadores conseguem avaliar com maior precisão como as características variam dentro de uma propriedade ou região. Isso pode reduzir a necessidade de tratar grandes extensões como se fossem homogêneas.
Em áreas amazônicas, o ganho de detalhamento também pode contribuir para estudos ambientais e para o planejamento de sistemas produtivos mais adaptados às condições locais.
Tecnologia não elimina trabalho de campo
Embora sensores remotos acelerem a coleta de informações sobre grandes áreas, o levantamento em Roraima mostra que a tecnologia não substitui as análises tradicionais. A abertura de perfis, a coleta de amostras e a observação direta continuam necessárias para interpretar corretamente os dados produzidos pelo Lidar.
O objetivo é justamente combinar métodos. Imagens e modelos tridimensionais ajudam a orientar onde investigar, enquanto as amostras fornecem informações que o sensor não consegue determinar sozinho.
Com a continuidade do projeto, os dados coletados em Mucajaí poderão contribuir para aperfeiçoar metodologias de mapeamento e ampliar a base de conhecimento sobre os solos de Roraima, apoiando pesquisa, produção agropecuária e conservação ambiental.
Foto ilustrativa de drone com Lidar. Crédito: Jonte / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.








