A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta segunda-feira (21) a apreensão de unidades falsificadas do medicamento Phesgo, usado no tratamento de câncer de mama, e de três lotes do Dysport 500 U, uma toxina botulínica do tipo A. As medidas foram tomadas após as próprias empresas responsáveis pelos registros dos produtos comunicarem irregularidades encontradas no mercado.
No caso do Phesgo, a decisão atinge especificamente unidades do lote B5011B05 que apresentam data de fabricação 06/2025. Segundo a Anvisa, a Roche identificou características diferentes das encontradas no medicamento original e informou o problema à agência.
Quais produtos foram atingidos pela medida
As unidades falsificadas de Phesgo incluídas na determinação não podem ser armazenadas, comercializadas, importadas, exportadas nem utilizadas. A restrição não se aplica de forma genérica a todo o medicamento, mas às unidades do lote e da data de fabricação apontados pela fiscalização.
O Phesgo é utilizado no tratamento de câncer de mama HER2-positivo e combina dois anticorpos monoclonais, pertuzumabe e trastuzumabe, em uma formulação aplicada por via subcutânea.
A Anvisa também determinou a apreensão de três lotes falsificados do Dysport 500 U. A fabricante responsável pelo produto informou que não reconhece como originais os lotes:
- P08191, com validade em 04/2029;
- P08192, com validade em 05/2029;
- P22368, com validade em 02/2029.
Para essas unidades, também ficam proibidas a venda, a distribuição e a utilização.
Falsificação de medicamento exige atenção redobrada
Medicamentos falsificados representam um risco diferente de produtos apenas vencidos ou armazenados de forma inadequada. Quando a origem é desconhecida, não há garantia de que a substância dentro da embalagem corresponda ao que está descrito no rótulo, nem de que tenha sido produzida em condições adequadas.
Também não é possível assegurar concentração, esterilidade, estabilidade ou condições de transporte. Em produtos injetáveis, esses riscos ganham ainda mais importância porque eventuais contaminações ou diferenças na formulação podem provocar consequências graves.
A orientação geral da Anvisa é que pacientes e profissionais de saúde não utilizem produtos com suspeita de falsificação e façam a comunicação aos canais oficiais da agência e às vigilâncias sanitárias locais.
Como verificar se um medicamento é regularizado
A Anvisa mantém sistemas públicos de consulta em que é possível verificar a situação de medicamentos e outros produtos. A pesquisa pode ser feita pelo nome comercial, pelo número do registro, pelo fabricante ou por outras informações presentes na embalagem.
Em casos de dúvida sobre um lote específico, a conferência com o fabricante também pode ajudar a identificar divergências de embalagem, rótulo, data de fabricação ou validade.
Comprar medicamentos de estabelecimentos regularizados e desconfiar de ofertas com preços muito abaixo do mercado são cuidados básicos, especialmente em produtos de alto custo ou com demanda elevada.
Outras medidas foram publicadas no mesmo ato
Além dos medicamentos falsificados, a Anvisa suspendeu publicidade irregular de diversos produtos manipulados comercializados pela internet e proibiu a divulgação de produtos de cannabis de origem desconhecida e sem autorização da agência.
As determinações constam da Resolução 3.717/2026 e fazem parte das ações de fiscalização sanitária publicadas no Diário Oficial da União.
Os detalhes e a lista oficial de produtos podem ser consultados na comunicação da Anvisa.
Foto ilustrativa: Julia Taubitz / Unsplash.








